Contexto

As mudanças climáticas são um relevante desafio global e impõem riscos e oportunidades pertinentes à atuação da Suzano.

  • 1. As Mudanças Climáticas

    Contexto:

    As mudanças climáticas são um relevante desafio global. O planeta Terra vem registrando aumentos de temperatura acentuados, especialmente devido às ações antrópicas que promovem a emissão de gases de efeito estufa (GEE), como aponta o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Este aumento na temperatura média global acarreta uma série de efeitos, como maior frequência e severidade de eventos climáticos extremos, mudanças em padrões pluviométricos e elevação do nível do mar, que afetam ecossistemas naturais, as comunidades humanas e o desenvolvimento de atividades econômicas.

    Diante deste cenário, os governos nacionais no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC), reconheceram por meio do Acordo de Paris a urgência de adotar medidas para mitigação das mudanças climáticas e de adaptação aos efeitos decorrentes dela. Esta agenda vem sendo adotada pelo setor privado, sociedade civil e governos subnacionais para contribuir e até superar as ambições definidas nas contribuições nacionalmente determinadas para limitar o aumento de temperatura a 1,5ºC com relação aos níveis pré-industriais.

    Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), definidos em 2015, também reconhecem desafios e colocam metas globais de combate às mudanças climáticas e de questões diretamente relacionadas à clima, como consumo e produção sustentáveis, disponibilidade de água potável, geração de energia limpa e preservação de ecossistemas terrestres.

    Aliado à necessidade de atuar na mitigação e adaptação às mudanças climáticas, o setor privado avança no entendimento de como estas mudanças já afetam seu desempenho econômico-financeiro, e como suas estratégias de negócios podem responder aos cenários previstos de aumento de temperatura. Isso inclui tanto riscos como oportunidades – associadas a uma economia resiliente às mudanças do clima e de baixo carbono, isto é, orientadas à geração de renda com menor intensidade na emissão de GEE.

  • 2. As Mudanças Climáticas e a Suzano

    Contexto:

    Dado que as atividades do setor de papel e celulose dependem da gestão de florestas, do uso de recursos hídricos, mudanças no uso do solo e de atividades industriais, as mudanças climáticas impõem desafios e oportunidades relevantes ao setor.

    A Suzano tem uma base florestal significativa. São aproximadamente 2,2 milhões de hectares de área total que inclui plantio de eucalipto e uma das maiores áreas de mata nativa protegidas privadas do Brasil (com aproximadamente 900 mil hectares em 2019). Juntos, as florestas nativas e os plantios de eucalipto contribuem diretamente para remoção e estoque de CO₂ do ar. Ao mesmo tempo, tem um modelo de negócios centrado em operações eco-eficientes e na substituição de produtos oriundos de base fóssil, caracterizados por alta intensidade nas emissões de GEE. Isso coloca grande responsabilidade sobre seu papel para a mitigação e adaptação das mudanças climáticas, contribuindo com governos, sociedade civil e outros entes do setor privado para o enfrentamento deste desafio.

    A Suzano incorpora o tema de mudanças climáticas na sua estratégia e operações. Em nossa trajetória, isso se evidencia pela adesão a boas práticas como: sequestro de carbono realizado pelas florestas, gestão das emissões de GEE, medições meteorológicas e análises climáticas para a produção florestal, identificação do risco climático como um dos riscos prioritários a ser gerenciado, geração de energia renovável, medidas de eficiência energética e hídrica nas fábricas e desenvolvimento de pesquisas para adaptação às mudanças do clima.

    Para se manter a par de boas práticas internacionais e influenciar positivamente o avanço do setor privado no tema, a Suzano, historicamente, esteve envolvida em iniciativas voluntárias de mercado no tema. Entre estas iniciativas, estão a participação na Coalizão Brasil Clima, Agricultura e Florestas, Agricultura e Florestas, em Câmaras Técnicas do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), liderança em Grupos de Trabalho da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) e adesão, desde o surgimento, do Programa GHG Protocol e do Sistema de Comercialização de Emissões (SCE), junto à Fundação Getúlio Vargas.

    Em 2020, a Suzano também buscará ampliar a transparência sobre sua gestão de mudanças climáticas ao responder aos questionários como o CDP (antes, Carbon Disclosure Project) e o Índice de Sustentabilidade Empresarial da B3 (ISE-B3).

    Para aprimorar suas práticas, a Suzano busca sempre basear-se em evidências científicas e padrões voluntários de mercado que apoiem o engajamento do setor privado considerando os desafios e potencial transformador dos negócios. Por isso, os estudos do IPCC e as diretrizes do GHG Protocol sobre mensuração e reporte de emissões e remoções de GEE são utilizadas como referência para a gestão de mudanças climáticas. Neste mesmo sentido, a Suzano se compromete a implementar as Recomendações da Task Force on Climate-related Financial Disclosures (TCFD), lançadas em 2017. Para mais informações sobre a TCFD e a Trajetória da Suzano clique aqui.

  • 3. Riscos Climáticos da Suzano

    Contexto:

    É necessário que estejamos atentos à identificação e gestão dos riscos impostos pelas mudanças do clima. Estes riscos têm diferentes níveis de materialidade para nosso negócio, de acordo com sua probabilidade de ocorrência e potencial impacto. Aqueles de maior materialidade exigem maior atenção no desenvolvimento de medidas de mitigação. O risco de desabastecimento de energia, por exemplo, vem sendo mitigado pelo aumento da nossa autossuficiência energética.

    Tais riscos podem ser físicos ou de transição. Os riscos físicos se materializam a partir dos efeitos que o aumento da concentração dos gases do efeito estufa na atmosfera tem sobre ecossistemas naturais e as condições para a vida humana na Terra, podendo ser:

    • Riscos Agudos: decorrentes de eventos climáticos extremos (ex: ciclones, furacões, inundações), com aumento da intensidade e frequência; ou
    • Riscos Crônicos: provenientes de mudanças de longo prazo em padrões climáticos, que podem causar, por exemplo, aumento do nível do mar ou constantes ondas de calor.

    Estes riscos podem afetar diversas dimensões da cadeia de valor de papel e celulose. O quadro abaixo resume algumas formas de possível materialização destes riscos físicos para a Suzano:

    Há também riscos decorrentes da necessidade de transição da sociedade para uma economia de baixo carbono. São os riscos de transição, que podem ser:

    • Regulatórios e legais: decorrentes de mudanças regulatórias que incentivem a transição para uma economia de baixo carbono ou decorrentes do risco de litígio relacionado à suposta contribuição, mesmo que indireta, para intensificação das mudanças climáticas;
    • Tecnológicos: decorrentes do surgimento de melhorias e inovações na direção de uma economia com maior eficiência energética e de baixo carbono;
    • De mercado: decorrentes de mudanças na oferta/demanda de certas commodities, produtos e serviços à medida em que questões relacionadas ao clima passam a ser consideradas nas tomadas de decisão; ou
    • Reputacionais: relacionados a mudança de percepções dos clientes e da sociedade de maneira geral em relação à contribuição positiva ou negativa de uma organização para uma economia de baixo carbono.

  • 4. Oportunidades Climáticas da Suzano

    Contexto:

    Por outro lado, a necessidade de produtos, serviços e práticas que contribuam com a redução das emissões antrópicas de gases de efeito estufa e com a adaptação da sociedade às mudanças climáticas representam também oportunidades de negócios para a Suzano. Inclusive, a Companhia se posiciona de maneira a converter alguns potenciais riscos ao setor em oportunidades de negócios. Um dos exemplos é a precificação de carbono, da qual a Suzano pode ser beneficiada por realizar a captura de CO2 das suas plantações de eucalipto e florestas nativas. Em cenários de mercado de carbono, a Companhia é capaz de ofertar créditos, gerando receita a partir desta prática.

    A lista a seguir resume algumas destas oportunidades, em diferentes dimensões:

     

    Acesso a mercados

    • Comercialização de créditos de carbono oriundos de aumento do sequestro das florestas e redução das emissões
    • Emissão de debêntures ASG, verdes ou sustentáveis, lastreados em ativos florestais e projetos de mitigação e adaptação às mudanças climáticas
    • Acesso a empréstimos verdes ou vinculados a indicadores de performance ASG (ambiental, social e de governança)
    • Remuneração pela prestação de serviços ambientais, na conservação e recuperação de ecossistemas florestais e recursos hídricos
    • Maior acesso de produtos à base florestal em mercados onde os consumidores rejeitam plástico single-use

     

    Eficiência no uso de recursos

    • Redução de custos e dependência de captação hídrica a partir de práticas de eficientização das plantas industriais
    • Redução de custos e dependência de energia a partir de práticas de eficientização das plantas industriais
    • Redução de custos pelo reaproveitamento de resíduos com maior valor agregado (ex: dregs/grits transformados em corretivo de solo, reduzindo necessidades de compra de cal)

     

    Fontes de energia

    • Redução no custo de produção resultante do aumento da geração de energia renovável gerada em fontes próprias, e redução do consumo de energéticos
    • Aumento do grau de autossuficiência energética da Suzano a partir da eficientização e geração energia renovável nas plantas industriais
    • Redução no custo de produção resultante do aumento das tarifas de energia em cenários de hidrologia desfavorável aliado a aumento de carga no sistema brasileiro, em caso de superávit energético do Grupo Suzano

     

    Novos produtos e serviços

    • Aumento da oferta de produtos de origem florestal (ex: MFC¹, biocompósitos² e novas embalagens de papel) em substituição àqueles derivados do petróleo, com maior pegada de carbono
    • Oferta de produtos de origem florestal em substituição àqueles que demandam maior uso de água e produtos químicos na produção (ex: MFC transformada em fibra têxtil que pode substituir algodão)
    • Aumento do valor agregado das entregas aos clientes a partir da neutralização de carbono de parte dos produtos
    • Pagamento por serviços ambientais associados à manutenção de recursos hídricos e vegetação

     

    Resiliência

    • Redução de custos e da vulnerabilidade de fontes de terceiros a partir do aumento da autoprodução de energia renovável
    • Desenvolvimento de mudas adaptadas aos efeitos das mudanças climáticas, como variação de temperatura e menor disponibilidade hídrica

     

    1. Celulose Microfibrilada: usada nos setores de papel e celulose, tintas, cosméticos e têxtil. Ela é transformada em um tecido de alta qualidade por nossos parceiros na Spinnova e que pode substituir outras fibras como a viscose ou o algodão.

    2. Biocompósitos: materiais de fonte renovável (ex: bio-óleo e lignina) que substituem parcela significativa da matéria-prima de origem fóssil em aplicações distintas em diversas indústrias, como automotiva, embalagens e bens de consumo.