Gestão de Riscos e Oportunidades

Informações detalhadas sobre os riscos e oportunidades das mudanças climáticas para a Suzano.

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  • 3. Riscos Climáticos da Suzano

    Contexto:

    É necessário se estar atento à identificação e gestão dos riscos impostos pelas mudanças do clima. Estes riscos têm diferentes níveis de materialidade para o negócio da Suzano, de acordo com sua probabilidade de ocorrência e potencial impacto. Aqueles de maior materialidade exigem maior atenção no desenvolvimento de medidas de mitigação. O risco de desabastecimento de energia, por exemplo, vem sendo mitigado pelo aumento da autossuficiência energética da empresa.

    Tais riscos podem ser físicos ou de transição. Os riscos físicos se materializam a partir dos efeitos que o aumento da concentração dos gases do efeito estufa na atmosfera tem sobre ecossistemas naturais e as condições para a vida humana na Terra, podendo ser:

     

    • Riscos Agudos: decorrentes de eventos climáticos extremos (ex: ciclones, furacões, inundações), com aumento da intensidade e frequência; ou
    • Riscos Crônicos: provenientes de mudanças de longo prazo em padrões climáticos, que podem causar, por exemplo, aumento do nível do mar ou constantes ondas de calor.

     

    Estes riscos podem afetar diversas dimensões da cadeia de valor de papel e celulose. O quadro abaixo resume algumas formas de possível materialização destes riscos físicos para a Suzano:

     

     

    Há também riscos decorrentes da necessidade de transição da sociedade para uma economia de baixo carbono. São os riscos de transição, que podem ser:

     

    • Regulatórios e legais: decorrentes de mudanças regulatórias que incentivem a transição para uma economia de baixo carbono ou decorrentes do risco de litígio relacionado à suposta contribuição, mesmo que indireta, para intensificação das mudanças climáticas;
    • Tecnológicos: decorrentes do surgimento de melhorias e inovações na direção de uma economia com maior eficiência energética e de baixo carbono;
    • De mercado: decorrentes de mudanças na oferta/demanda de certas commodities, produtos e serviços à medida em que questões relacionadas ao clima passam a ser consideradas nas tomadas de decisão; ou
    • Reputacionais: relacionados a mudança de percepções dos clientes e da sociedade de maneira geral em relação à contribuição positiva ou negativa de uma organização para uma economia de baixo carbono.

     

  • 4. Oportunidades Climáticas da Suzano

    Contexto:

    Por outro lado, a necessidade de produtos, serviços e práticas que contribuam com a redução das emissões antrópicas de gases de efeito estufa e com a adaptação da sociedade às mudanças climáticas representam também oportunidades de negócios para a Suzano. Inclusive, a Companhia se posiciona de maneira a converter alguns potenciais riscos ao setor em oportunidades de negócios. Um dos exemplos é a precificação de carbono, da qual a Suzano pode ser beneficiada por realizar a captura de CO2 das suas plantações de eucalipto e florestas nativas. Em cenários de mercado de carbono, a Companhia é capaz de ofertar créditos, gerando receita a partir desta prática.

    A lista a seguir resume algumas destas oportunidades, em diferentes dimensões:

     

    Acesso a mercados

    • Comercialização de créditos de carbono oriundos de aumento do sequestro das florestas e redução das emissões;
    • Emissão de debêntures ASG, verdes ou sustentáveis, lastreados em ativos florestais e projetos de mitigação e adaptação às mudanças climáticas;
    • Acesso a empréstimos verdes ou vinculados a indicadores de performance ASG (ambiental, social e de governança);
    • Remuneração pela prestação de serviços ambientais, na conservação e recuperação de ecossistemas florestais e recursos hídricos;
    • Maior acesso de produtos de base florestal em mercados onde os consumidores rejeitem plástico single-use ou, ainda, em localidades que sua proibição seja regulamentada.

     

    Eficiência no uso de recursos

    • Redução de custos e dependência de captação hídrica a partir de práticas de que aumentem a eficiência das plantas industriais;
    • Redução de custos e dependência de energia a partir de práticas de que aumentem a eficiência das plantas industriais;
    • Redução de custos pelo reaproveitamento de resíduos com maior valor agregado (ex: dregs/grids transformados em corretivo de solo, reduzindo necessidades de compra de cal).

     

    Fontes de energia

    • Redução no custo de produção resultante do aumento da geração de energia renovável por fontes próprias, e redução do consumo de insumos energéticos, como combustíveis(gás natural, diesel, etc.) ;
    • Aumento do grau de autossuficiência energética da Suzano a partir do aumento da eficiência na geração energia renovável pelas plantas industriais;
    • Redução no custo de produção resultante do aumento das tarifas de energia em cenários de hidrologia desfavorável, aliado a aumento de carga no sistema brasileiro (em caso de superávit energético da companhia).

     

    Novos produtos e serviços

    • Aumento da oferta de produtos de origem florestal (ex: MFC¹, biocompósitos² e novas embalagens de papel) em substituição àqueles derivados do petróleo;
    • Oferta de produtos de origem florestal em substituição àqueles que demandam maior uso de água e produtos químicos na produção (ex: MFC transformada em fibra têxtil que pode substituir algodão);
    • Aumento do valor agregado das entregas aos clientes a partir da neutralização de carbono de parte dos produtos;
    • Pagamento por serviços ambientais associados à manutenção de recursos hídricos e vegetação.

     

    Resiliência

    • Redução de custos e da vulnerabilidade gerada pela dependência de energia elétrica de fontes de terceiros a partir do aumento da autoprodução de energia renovável;
    • Uso de mudas mais resilientes e adaptadas aos efeitos das mudanças climáticas, como variação de temperatura e menor disponibilidade hídrica.

     

    1. Celulose Microfibrilada: usada nos setores de papel e celulose, tintas, cosméticos e têxtil. Ela é transformada em um tecido de alta qualidade pela Spinnova e pode substituir outras fibras como a viscose ou o algodão.
    2. Biocompósitos: materiais de fonte renovável (ex: bio-óleo e lignina) que substituem parcela significativa da matéria-prima de origem fóssil em aplicações distintas em diversas indústrias, como automotiva, embalagens e bens de consumo.

  • 5. Gestão de Riscos e Oportunidades

    Temas Materiais Relacionados

    Contexto:

    O tema de mudanças climáticas é incorporado ao gerenciamento integrado de riscos da Companhia. Dessa forma, segue as diretrizes definidas na Política de Gestão Integrada de Riscos da Suzano com relação ao processo de comunicação, priorização, tratamento, consulta, monitoramento e análise relativo à gestão dos riscos.

    Dentro do processo de priorização, os riscos climáticos vêm sendo identificados como prioritários na Matriz de Riscos Corporativos. Também são considerados prioritários os riscos relacionados a distúrbios fisiológicos, pragas e doenças que podem afetar a produtividade florestal. Estes riscos têm relação direta com as mudanças climáticas, já que as alterações dos ecossistemas decorrentes do aumento de temperatura, podem significar mudanças na suscetibilidade a pragas.

    Desta forma, são definidos procedimentos específicos para responder a estes riscos prioritários, como a elaboração, implementação e acompanhamento de Planos de Ação. Este trabalho é liderado pela Área de Riscos, com participação das demais áreas relacionadas.

    Além do tratamento do risco climático no nível corporativo, são realizadas abordagens específicas no nível operacional da produção florestal e industrial. A equipe técnica de Ciência e Tecnologia realiza a identificação e monitoramento de uma série de indicadores, a fim de avaliar a exposição das operações florestais a riscos climáticos (e também de outras dimensões ambientais). Um exemplo é o monitoramento de bacias hidrográficas críticas nas regiões onde estão localizadas nossas operações, a fim de avaliar a exposição a riscos hídricos. Os dados coletados neste trabalho são utilizados para calibrar modelos de planejamento de colheita e novos plantios e, também, já resultaram na definição de planos específicos para responder a riscos de desabastecimento.

    Variáveis relacionadas à temperatura, umidade e índices pluviométricos das unidades florestais também são monitoradas pela equipe técnica de Ciência e Tecnologia. Esse monitoramento é feito com base em: métricas geradas por estações meteorológicas próprias e públicas; análise de dados históricos; e projeções de cenários climáticos construídos a partir da combinação de cenários globais (IPCC) e dados regionais.

    A partir da identificação das variáveis relevantes, a Companhia consegue identificar os riscos climáticos mais materiais. Esses dados são compilados e analisados, alimentando ferramentas desenvolvidas internamente, como relatórios de acompanhamento e sistemas informativos on-line, disponibilizados para diferentes gerências da empresa, auxiliando tomadas de decisões. Além das já mencionadas projeções sobre potencial impacto do aumento de temperatura sobre a produtividade florestal, também realizamos outros estudos com base científica. Como exemplo, podemos citar as avaliações de práticas de manejo florestal para redução da captação hídrica e a avaliação de maior resistência a pragas.